Vejamos.
É consensualmente aceite entre a comunidade científica que nascemos com um número finito de batimentos cardíacos para gastar. Genericamente 2.210.000.000. E gastamos, em média, 60 batidas por minuto. Assustador o suficiente?
Então é claro que, ao corrermos, estamos a acelerar o ritmo a que queimamos cartuchos. Parem de correr. Já!
Esta crença, algo enraizada, é questionável e tem sido amplamente estudada, com boas notícias para os runners.
Alerta: post com equações matemáticas simples.
Tomemos dois jovens de 30 anos, o Selmo e o Rui. O Selmo gosta de estar sentado. O Rui é um runner. O Selmo tem uma frequência cardíaca em repouso de 60 bpm. Diariamente, o coração do Selmo bate 60 * 60 * 24 = 86.400 vezes.
O Rui, feito doido, corre 60 minutos por dia, a uma frequência média de 160. Só durante a corrida, o Rui gasta 9.600 batidas. Mal ele sabe que se está a matar...
Mas é aqui que os benefícios da corrida entram em jogo. Nomeadamente, sabe-se hoje que a prática regular de exercício físico baixa de forma prolongada a frequência cardíaca em repouso (eu que o diga, que na preparação de uma recente cirurgia fui abordado várias vezes com questões como "Estás a sentir-te bem?! A tua pulsação está muito baixa!").
Um desportista regular pode ver a sua frequência cardíaca baixar para valores abaixo dos 45 batimentos por minuto. Vamos, contudo, acreditar que o nosso Rui tem uma frequência cardíaca em repouso de 50 bpm, para não sermos demasiado ambiciosos.
O Rui já gastou 9.600 batidas. Gasta mais 50 * 60 * 23 = 69.000 durante as restantes 23 horas do dia. No total, mesmo correndo, o Rui utilizou 78.600 batidas. Ao fim de um dia normal, com uma hora "louca" de corrida, o Rui ainda poupou ao seu coração uns milhares de batimentos.
| Frequência cardíaca em repouso por faixa etária e condicionamento físico |
Concluindo, podemos assumir que correr, efetivamente, desgasta mais rapidamente o nosso coração. Contudo, os benefícios pós-corrida deste nosso hobby não só compensam este efeito como, em certos casos, podem aumentar a esperança média de vida dos runners, através do fortalecimento muscular que, por sua vez, promove, uma diminuição do ritmo cardíaco.
Portanto corram. Pela vossa saúde. Pelo vosso coração.
'bora dar corda aos sapatos!
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