domingo, 14 de fevereiro de 2016

Chuva? Garantam um stock de calçado

Esta semana estive mais ausente deste espaço, numa dinâmica pouco natural, tendo em conta as torrentes de água que se precipitavam dos céus portugueses. Afazeres profissionais, aliados ao plano de treinos e a um conjunto de compromissos pessoais relegaram a escrita para baixo na lista de prioridades.
Hoje, em dia de descanso e, curiosamente, sem chuva enquanto escrevo, é hora de partilhar convosco algumas das peripécias da semana.
Quarta-feira não consegui treinar e, após um dia de descanso forçado, quinta fiz treino duplo, com oito quilómetros de manhã cedo e onze ao final do dia, em ritmos distintos (o treino da tarde bem mais intenso que o da manhã). E foi durante este mesmo treino que me surgiu a primeira ideia de tema para os textos. Fazer treinos duplos dá pica!
Sou pouco adepto de treinar de manhã. Apesar de ser muito melhor no que diz respeito à gestão de agenda, como me costumo deitar tarde as primeiras horas da manhã sabem melhor a dormir. Acordar às sete quando posso, no limite, acordar às nove (rico horário) nem sempre é fácil mas, quando o faço, a recompensa é fantástica. Depois de um treino à chuva, chegar a casa, tomar um duche e vestir-me para ir trabalhar empresta-me uma energia que torna o dia de trabalho muito mais produtivo. Enfim, não sou fã de treinos matinais, mas vou continuar a esforçar-me por, aqui e ali, fazer um destes.
Ao fim do dia, no segundo treino, sentia-me um super-herói. Com os músculos completamente ativos, a intensidade do treino parecia quase fácil, e fui capaz de aumentar o ritmo e a cadência sem esforços demasiado penosos.
Por esta altura, já o rio que corre junto à via que costumo usar para treinos tinha um caudal poderoso. Ao olhar para o lado, nos pontos em que a via se aproximava mais do leito, er aimpossível não contemplar a beleza da força da natureza. Eu contra as águas, em curtos troços. Fixava-me num objeto que ia arrastado pelas águas e competia contra o rio. Quem é mais rápido?
Sexta-feira usei o último par de sapatilhas enxuto que tinha e ontem, para um treino longo com cem por cento de chuva abundante, deparei-me pela primeira vez com o facto de que não tinha quaisquer sapatilhas secas. Muito mau tempo na rua e equipamento sem condições... Hm... Talvez hoje não seja dia para correr.
Sentia-me sem ânimo. AInda assim, porque este seria o último treino nesta distância antes das duas semanas de redução para a prova para a qual estou a treinar, calcei umas desconfortáveis sapatilhas molhadas e saí para a rua.
Um quilómetro depois já as sapatilhas eram provavelmente, a peça de equipamento menos molhada que eu tinha. E segui. Segui, com muito custo e alguma vontade de desistir. Com um ritmo baixo, contra o vento a espaços. A favor do vento por vezes. Com a roupa a pesar toneladas por cima dos músculos frios e dos ossos húmidos. Era a primeira vez que corria tanto em condições tão adversas e, no entanto, à chegada a casa, após mais de dezanove quilómetros sob uma chuva intensa e um vento gelado, após ouvir um vizinho que chegava em simultâneo "Até à chuva tu corres?!" tudo valeu a pena. Ali estava eu, à espera do elevador, a pensar na água quente. Sempre a água quente como fator motivador nestas condições.
Experimentei pesar a roupa. Mais de três quilos. Não pesei as sapatilhas. Terá sido, sem dúvida, um bom treino de força, empurrar as calças durante dezanove quilómetros.
Hoje, em dia de descanso, o sol começa a espreitar. Já tenho saudades de correr com o tempo seco. E de ter vários pares de sapatilhas à escolha, todos eles prontos para uns quilómetros sem água.
Amanhã arranca a penúltima semana de treino antes da próxima corrida. Está na hora de baixar o ritmo, aos poucos. E eu já tenho saudades de competir...
'bora dar corda aos sapatos?


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