Hoje, a meio da tarde, já tenho dois pares de sapatilhas encharcadas. Fantástico. Amanhã tenciono encharcar o terceiro par.
Começo esta semana de crónicas dizendo que a participação de ontem no Braga a Correr especial de Carnaval foi simpática. Ver tanta gente mascarada a correr pelas ruas da cidade dos arcebispos é uma experiência encantadora. Foi pena a chuva, que afastou algumas das caras habituais destas corridas-passeio e levou a organização a definir um trajeto algo desinteressante para a corrida da noite. No final, os palhaços, chineses, mergulhadores, bruxas e bruxinhas, entre tantas outras personagens, ainda assistiram à leitura do Testamento do Libório, pouco participada dadas as condições climatéricas.
Pouco antes do final do treino, ao passar por uma tasca, alguém comentou que "Chuva civil não molha militar." Tem razão, e deu-me o mote certo.
Pois, aproveitei a deixa e hoje, sob intensa chuvada, lá me atirei ao asfalto e a mais uns quilómetros.
Enquanto corria, lembrei-me de uma conversa com um colega de trabalho, há dias. Dizia ele "Para quê ter que apanhar chuva, frio e vento, se posso fazer quase tudo o que faço na rua num ginásio?", ao que eu ripostava com um "Para quê pagar um ginásio, quando posso fazer quase tudo o que há num ginásio, na rua?"
Claro que o ginásio complementa a rua, e claro que a rua oferece muita coisa que o ginásio nunca poderá dar, mas hoje à chuva e ao frio, lembrei-me uma vez mais do quanto prefiro o ar livre. E, paradoxalmente, após um treino debaixo de um temporal, o melhor momento é aquele em que, minutos após chegar a casa, a água quente do chuveiro nos escorre pela cara abaixo. Sentimo-nos felizes, sentimos que cumprimos mais uma missão, e sentimos que somos afortunados por podermos contemplar a natureza e, no final do dia, ter um duche quente à nossa espera.
É, pois, com as mãos quentes e energia redobrada que escrevo estas linhas.
Amanhã há mais. Faça chuva ou faça sol. Mas outdoor. Sempre outdoor.
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