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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Chuva civil não molha militar mascarado

Arrancou ontem mais uma semana de treino.
Hoje, a meio da tarde, já tenho dois pares de sapatilhas encharcadas. Fantástico. Amanhã tenciono encharcar o terceiro par.
Começo esta semana de crónicas dizendo que a participação de ontem no Braga a Correr especial de Carnaval foi simpática. Ver tanta gente mascarada a correr pelas ruas da cidade dos arcebispos é uma experiência encantadora. Foi pena a chuva, que afastou algumas das caras habituais destas corridas-passeio e levou a organização a definir um trajeto algo desinteressante para a corrida da noite. No final, os palhaços, chineses, mergulhadores, bruxas e bruxinhas, entre tantas outras personagens, ainda assistiram à leitura do Testamento do Libório, pouco participada dadas as condições climatéricas.
Pouco antes do final do treino, ao passar por uma tasca, alguém comentou que "Chuva civil não molha militar." Tem razão, e deu-me o mote certo.
Pois, aproveitei a deixa e hoje, sob intensa chuvada, lá me atirei ao asfalto e a mais uns quilómetros.
Enquanto corria, lembrei-me de uma conversa com um colega de trabalho, há dias. Dizia ele "Para quê ter que apanhar chuva, frio e vento, se posso fazer quase tudo o que faço na rua num ginásio?", ao que eu ripostava com um "Para quê pagar um ginásio, quando posso fazer quase tudo o que há num ginásio, na rua?"
Claro que o ginásio complementa a rua, e claro que a rua oferece muita coisa que o ginásio nunca poderá dar, mas hoje à chuva e ao frio, lembrei-me uma vez mais do quanto prefiro o ar livre. E, paradoxalmente, após um treino debaixo de um temporal, o melhor momento é aquele em que, minutos após chegar a casa, a água quente do chuveiro nos escorre pela cara abaixo. Sentimo-nos felizes, sentimos que cumprimos mais uma missão, e sentimos que somos afortunados por podermos contemplar a natureza e, no final do dia, ter um duche quente à nossa espera.
É, pois, com as mãos quentes e energia redobrada que escrevo estas linhas. 
Amanhã há mais. Faça chuva ou faça sol. Mas outdoor. Sempre outdoor.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Uma correria

Hoje passei por um episódio relativamente comum, daqueles que a maioria dos runners conhece muito bem e com o qual muitos simpatizarão. Um episódio que se repete vezes sem conta e que tem, recorrentemente, um final agradável.
O dia começou cedo, sem margem para treinos, e acabou tarde. Bem mais tarde que o previsto.
À saída dos afazeres profissionais, um rápido olhar para o relógio indicava que, claramente, o treino do dia, ainda que planeado para ser curto, teria que ser adiado. Com um jantar marcado, seguido de um aniversáiro, não havia agora espaço na agenda para encaixar para apertar os atacadores e sair. Paciência, ficará para amanhã, pensei.
Cheguei a casa e não pensei mais no assunto. É assim que se deve fazer, dizem. Mas não pensei no assunto porque durante a viagem tomei a decisão - acertada - de manter o treino. Troquei rapidamente de roupa, liguei a informar que me ia atrasar quinze míseros minutos para o jantar e dei corda aos sapatos. Sem mais. Saí para a rua e corri. E com quinze minutos adicionais ganhei uma hora de treino e consegui não deixar três quartos de hora escapar por entre os dedos.
Uma hora volvida, após um longo dia de trabalho, ali estava eu. Transpirado, com mais uns quilómetros nas pernas e muito relaxado. Como se as questões do quotidiano tivessem saído pelos poros. Pronto para outra. Porque correr também é isto - uma belíssima forma de aliviar a tensão.
Às vezes, para correr, é ironicamente necessária uma verdadeira correria contra o tempo.
Boas corridas!