domingo, 21 de fevereiro de 2016

Aos altos e baixos

Quando decidi experimentar o plano de treino que estou a seguir para a Meia Maratona do próximo domingo, dia 28, tinha como único objetivo bater o meu recorde pessoal de 1h43m52s Entretanto, quando corria uma Meia Maratona de treino, em janeiro, pulverizei este tempo com 1h35m51. Aí, pensei que teria que levar o plano muito a sério de modo a poder, no espaço de um mês, voltar a bater este tempo, já mais ambicioso. O objetivo anterior deixava, de um momento para o outro, de fazer sentido. E fui seguindo o plano, com alguns ajustes devido à agenda, mas sempre com escrúpulos e disciplina, mesmo sob tempestades.
É frustrante seguir um plano destes porque, com tantas corridas em ritmo fácil, sentimos que não estamos a progredir. Espero estar enganado, e sei que o culminar deste plano de treino será apenas na corrida, mas há momentos em que a confiança e a motivação nos parecem querer fugir.
Esta foi uma semana cheia desses momentos.
Após um treino fácil na segunda-feira, em pista coberta, terça-feira, num dos últimos treinos de progressão, previsto para 16 km, comecei a sentir-me fisicamente debilitado após o quilómetro três. Parei e fui à casa-de-banho descobrir que estava com uma infeção urinária. O peso na bexiga a cada passada impedia-me de correr. E não completei - mal comecei, na verdade - o treino.
Quarta e quinta-feiras foram passadas com exames médicos - descobri que, após sete meses de treino, a minha frequência cardíaca em repouso é de 48 bpm -, e apenas sexta consegui retomar. O sentimento de impotência e de perda de condicionamento físico é avassalador. Como é possível, após três dias sem treinar, sentir-me tão em baixo? E a verdade é que, a uma semana da prova, não podia aumentar a intensidade do treino, sob pena de estar cansado no dia D.
Sábado foi dia de treino de ensaio. Roupa da competição, calçado da competição e ritmo de competição, mas com muito menor distância. Foi horrível. Senti-me mal. Senti que o esforço que fiz para manter o ritmo de corrida não seria sustentável por 21 quilómetros. Senti-me desidratar no primeiro treino com sol em vários meses. Treinar também é isto - sentir maus momentos e prepararmos-nos para eles. E pus em causa se iria conseguir completar o meu objetivo.
Hoje, enquanto descanso, sinto-me contente por ter melhorado o meu IMC. E foi essa a vitória desta semana - sem saber bem como, com tão poucos quilómetros, perdi massa gorda, ganhei massa muscular e perdi peso total.
Amanhã retomo os treinos, mas a adrenalina de voltar às provas já começou a circular. Pensar no pelotão, na animação daquelas pessoas, todas com o mesmo objetivo. Pensar no apoio popular - esperemos que ele apareça - e nas curtas conversas que uma prova de longa distância também permite. Pensar na festa, na meta, na medalha, nos sorrisos, são todos fatores motivadores. E dos bons. Daqueles que nos fazem conseguir apertar os atacadores, dia após dia após dia.
Por isso, mesmo quando a semana de treino corre mal, quando nos sentimos sem forma física, e quando duvidamos se seremos ou não capazes, esta é - mais uma - das belezas do nosso desporto - encontrar sempre coisas positivas. E são tantas!

Por isso, amanhã volto a Dar Corda aos Sapatos.
E tu?

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