Na passada terça-feira fui retirar os pontos e os tampões do nariz. Foi uma sensação difícil de descrever.
Primeiro, sentir o ar passar através das narinas. Depois, poder fechar a boca. Por fim, dormir uma boa noite de sono. O pior veio depois. No final da consulta. Mesmo depois de a cirurgiã me dizer que sim, a partir do dia 21 poderia fazer todos os exercícios normalmente. Decidi reforçar a segurança e coloquei algumas questões importantes. Se poderia regressar ao trabalho, que cuidados deveria ter e se, dado que sou aficionado pelas corridas, poderia retomar os treinos no dia 21.
As respostas foram sendo positivas a todas as questões, exceto à última "Ah!, correr, não... Correr causa muito impacto e eu preferia que ficasses mais uma semana sem correr", ripostou ela, atirando o meu regresso à estrada para o dia 28.
Serão, assim, três semanas sem correr.
Como vou aguentar?, pensei, depois de, amuado, começar por um processo de negação (ela vai ver se eu não retomo a corrida a 21... De certeza que já vou estar bom).
A verdade é que sou habitualmente bem comportado nestas questões, e não vou querer deitar tudo a perder por uma semana. E rapidamente tracei um plano C.
Mas antes de ir ao plano C, uma nota: se na primeira semana a reação à falta de treino era quase visceral, como se de uma ressaca se tratasse, na segunda semana foi a vez de uma angústia se apoderar de mim - a forma física que tão bem estava a conseguir perde-se, dia após dia. E foi inevitável pensar, várias vezes, neste tema.
A verdade é que, e é aqui que entra o plano C, a partir de amanhã poderei começar a treinar em casa. Vou treinar o core, as pernas, algum treino muscular que me permita, à data do regresso, ter algum mínimo de condicionamento.
Daqui a uma semana, quando voltar a treinar, vou começar por uma quilometragem de cerca de 60% face à que estava a fazer antes da cirurgia. E vou perder uma prova para a qual estou inscrito - pelo menos. E as subsequentes serão em ritmos modestos. E sei que, quando regressar e perceber que a minha capacidade aeróbica se deteriorou, bem como os meus tempos e resistência, vai doer.
Contudo, acredito, o pior já passou. E para matar o tempo, comecei por elaborar um plano de treinos para o meu regresso, com seis semanas de recuperação antes de voltar à carga habitual.
Por isso, queridos leitores, a mensagem a reter é que, por vezes, a gestão do imprevisto é fundamental. E vá... Com a saúde não se brinca! E já falta menos de metade da recuperação! Haja otimismo!
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