domingo, 13 de março de 2016

Uma crise de adolescência

Fez exatamente hoje uma semana que treinei pela última vez. Faz amanhã uma semana que entrei nesta crise.

Já não me lembro da última vez que estive uma semana sem treinar. Provavelmente, foi antes de... correr pela primeira vez.

Esta semana não tenho crónicas de treinos, de competições, nem tampouco de leituras. Não foi possível. E, no entanto, foi uma semana que demorou tanto, tanto a passar...

Segunda-feira passada fui submetido a uma septoplastia e eletrocauterização. A cirurgia estava programada e foi mais uma medida para reduzir a infeção nasal que me acossa. Sabia de antemão que não ia ser dolorosa, mas que seria ridiculamente desconfortável. Mas não estava preparado para o que se avizinhava.
Sim, é verdade. É uma cirurgia pequena, embora envolva anestesia geral e, no meu caso, tenha envolvido pernoita hospitalar. Sim, é verdade que o pós-operatório é relativamente livre de dores (embora tenha feito medicação para as mesmas durante os primeiros seis dias). E sim, é verdade que a recuperação é estupidamente desconfortável. Tanto que eu não estava (totalmente) preparado para tal.
Sabendo, de antemão, que estaria longe da estrada durante, pelo menos, duas semanas, ainda assim acreditei que talvez na quarta-feira regressasse ao trabalho e saísse de casa. Quão errado estava eu!
Percebi-o no momento em que acordei da anestesia, quando tentei respirar e não conseguia. Ponto. Hoje, uma semana depois da cirurgia, continuo a não respirar. Rigorosamente nada. Pelo nariz, entenda-se.
Ora, e se respirar pela boca é imediato e fácil, a consequência que me assombrou é que, logo de seguida, a boca fica extremamente seca. Ao ponto de os lábios mirrarem e a língua ficar áspera. O céu da boca dói. E isto faz com que, ainda hoje, passada uma semana, continue a ser-me difícil dormir. Acordo com a terrível sensação de que a língua se vai partir de tão seca. Isto para não falar do ruído que as inspirações profundas pela boca fazem - não é um ronco, não -, que me acorda vezes sem conta. De dia ainda podemos comer e beber, mas de noite, só quando acordamos é que levamos a água à boca e podemos, enfim, dormitar mais meia hora.
Sim, é ridiculamente desconfortável.
E eu, que infelizmente já fui submetido a bastantes cirurgias, até sou "rijo".

Mas se este desconforto vai passar na próxima terça-feira, quando remover o tamponamento do nariz, os treinos, esses, ainda têm que esperar.
E confesso que há várias situações que me pesam. Não poder sair de casa - porque não posso espirrar nem tossir, e estes dias de sol são propensos para que os pólenes andem no ar - é uma delas.
Sobretudo porque eu não sou, claramente, animal de casa. E porque a expetativa era bem diferente - retomar o trabalho dois dias depois. Quando percebi que o desconforto, a anestesia, a privação de sono e alguma debilidade me iam mater em casa durante o fim-de-semana, quase fiquei louco. E só hoje consegui passar mais de uma hora seguida no computador sem o nariz resmungar que nem um velho (será este discurso reflexo do nariz?).
E depois, olhar para as sapatilhas, encostadas, a chamarem por mim. E saber que, dia após dia, perco condicionamento físico. E saber que os dias estão tão bonitos para passear. E que o trabalho acumula. E que o mundo não pára. OK., já me pareço o suficiente com um adolescente a passar por uma crise? É como me sinto, na verdade.

E tudo isto por causa de uma pequena cirurgia ao nariz!

E então, qual é o plano para ultrapassar a crise? Afinal de contas, sou psicólogo de formação!
Até quarta-feira, retomar o trabalho. Se a partir de casa, se diretamente no local de trabalho, só mesmo amanhã o saberei, mas tenho que retomar. Há que dar corda aos sapatos. Terça-feira a cirurgiã irá retirar-me todos os caixotes que me empurrou pelo nariz acima e que me impedem de respirar. Quarta devo poder retomar caminhadas - já posso espirrar. No fim-de-semana devo tentar algum treino específico e, na segunda-feira, dia 21, retomarei paulatinamente os treinos. Sem pressas, que costumam ser inimigas da perfeição.

Caros leitores, este é o plano para ultrapassar esta birra de adolescente. Não irá falhar. O plano B é executar o plano A. E se forem necessárias medidas adicionais, cá estaremos para as implementar.

Até lá, vocês, que podem, calcem-se e vão Dar Corda aos Sapatos por mim!

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