Mas terminou num dos mais belos cenários possíveis.
Antes, porem, uma breve resenha do 3º Grande Prémio de Priscos, prova com pouco mais de 9.000m de extensão, decorrida há duas semanas, e que levou um pequeno grupo de atletas a percorrer as estradas que ligam o centro de Braga à freguesia limítrofe de Priscos.Terminei num vigésimo lugar que me soube a algo estranho, pois além do percurso ser pouco atrativo, em plena estrada Nacional, a organização decidiu oferecer troféus a todas as categorias desde os Benjamins aos Veteranos >65, mas esqueceu-se de entregar medalhas aos finishers, pelo que a única coisa que guardo de recordação desta prova é um dorsal - que por sinal rasgou após apanhar alguma água.
Quanto à prova de hoje, a segunda do circuito EDP Running Wonders, essa esteve ao nível que se esperava. Comecemos pelos aspetos a melhorar, deixando fluir o texto mais descritivo no final.
Chegados à cidade-berço, íamos preparados para que o local de levantamento dos dorsais fosse distante da partida - mais de um quilómetro. Tal revelou-se um problema para alguns, os mais incautos, uma vez que, desde cedo, se deixou de poder circular de automóvel entre os dois pontos.
Já com o dorsal na mão e bastante tempo disponível, era hora de um segundo pequeno-almoço e café.
Bem hidratado, procurei as habituais casas-de-banho portáteis, tão íntimas amigas dos atletas, sem sucesso. Aparentemente, confiando na localização central da prova, a organização esqueceu-se deste tão importante elemento de uma corrida, obrigando-nos a consumir (terceiro pequeno-almoço?) num café para poder utilizar a casa-de-banho.E, daqui por diante, poucas oportunidades de melhoria há a assinalar. O percurso, com cerca de 200m de desnível positivo acumulado, não se presta a grandes tempos. O empedrado do Centro Histórico também não, e muito menos o calor abrasador, a roçar os trinta graus nos quilómetros finais. Mas tudo isso é compreensível quando estamos a falar de uma prova que, por ser disputada em Património Mundial da Humanidade, e no fim-de-semana em que a cidade-berço celebrou o dia da Batalha de S. Mamede, em 24 de junho de 1128, não podia decirrer de outra forma.
Pouco aquecimento, para não começar logo a desidratar, e uma partida rápida. Demasiado rápida, que viria a pagar na segunda metade da prova. Algum público a assistir, sobretudo no Largo do Toural e Igreja de S. Gualter dado que, por aqui, a prova passava quatro vezes.
Após o primeiro quilómetro, cuja dificuldade foi a adaptação ao empedrado, com muitos atletas a fugirem para o passeio - eu não fui exceção -, iniciou-se o quebra-pernas do centro histórico, com um piso muito irregular, subidas e descidas alternando constantemente e curvas apertadas.
De notar que Guimarães recebe, por estes dias, a sua feira medieval, a Feira Afonsina. As ruas estão caraterizadas à época, havendo bastante palha espalhada pelo chão. Algumas das tendas abriam ao público por altura da nossa passagem, o que animou ainda mais a prova.
De repente, ao quilómetro cinco, vemos, imponente, o Castelo de D. Afonso Henriques, com a bandeira da cruz azul em pano branco a descer a Torre de Menagem. E a subida termina, tão rápido como começou.
Foi mais ou menos aqui que baixei o ritmo, para perto dos 04:30 / km. O calor e esforço da subida quebraram completamente o meu esforço. Ainda bem que optei por fazer tempo em Caminha. Assim posso aproveitar e desfrutar desta prova, pensei. E se bem o pensei, melhor o fiz. E segui nesta toada calma.
Desta fase destaco o Parque da Cidade e a volta na pista do estádio, com uma escola de Samba à entrada - e saída - a animar a malta. A pista foi muito bem-vinda para relaxar as pernas.
Por esta altura já tinha agradecido várias vezes os abundantes abastecimentos - a cada 2 km -, as mangueiras de água dos autotanques dos bombeiros e até mesmo as mangueiras de água de simpáticos populares.
O ritmo esse, mesmo que eu tivesse vontade de o aumentar, mantinha-se baixo. O calor intenso que se sentia cobrava dividendos.
Pelos quilómetros 18 e 19 subíamos novamente para a cidade, subidas estas com algum grau técnico associado.
No final, com um tempo bem acima de outros já alcançados, fecho a época de Meias Maratonas com a sensação de que também aqui bati recordes - de calor, de acumulado nesta distância, e de bons sentimentos.
Uma prova que, apesar da dureza, recomendo vivamente, contrariando algumas das opiniões que me foram chegando ao longo dos últimos meses. Guimarães merece a visita dos runners!
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