Há muitas coisas mágicas acerca da corrida.
Uma delas - apenas mais uma - é a possibilidade de, por mera rotina, fazermos coisas que não faríamos se não corrêssemos como, por exemplo, ver o nascer do sol, dia após dia após dia.
Desde que me iniciei na corrida, sempre fui um corredor noturno. Era raro correr com a luz do dia, exceto nos treinos longos e nas provas.
Contudo, devido a uma mudança recente de vida, tenho treinado, cada vez mais, de manhã. Bem cedo, antes das sete, estou na rua.
As vias por onde os runners costumam treinar têm pouca afluência a esta hora. Começam a ter movimento um pouco mais tarde.
Podemos treinar à vontade, correr, sentir o ar fresco da manhã - bom, o ar gelado, nesta altura do ano - na cara. Podemos, inclusive, desfrutar de um dos mais belos momentos do dia, o nascer do sol.
TAté fazemos de propósito para estar a correr no sentido Oeste-Este no horário em que o sol desponta no horizonte e aqueles primeiros raios nos acariciam com os seus bons-dias.
Nestes dias, o dia começa melhor, mais alegre. A energia com que terminamos o treino é diferente. E é com essa energia que enfrentamos o dia de trabalho.
Estou rendido aos treinos matinais. E, se não estivesse, a quantidade de pessoas que, por esta altura do ano, começam a entupir, ao fim do dia, as vias de treino para poderem caber nos bikinis do ano anterior ajudar-me-ia a optar por treinar de manhã. às sete da tarde correr nas vias pedonais é uma tarefa quase tão difícil como atravessar o IC19.
E, aos poucos, graças ao nascer do sol, vou ganhando horas de treino. E de vida. Porque treinar antes de toda a cidade acordar significa que, quando o dia começa, já nós estamos ativos, animados, e com uns quilómetros nas pernas. Assim, sim, sentimos-nos melhor e mais. Diferentes. Bons. Realizados.
E, só por causa das tosses, amanhã vou dar corda aos sapatos... mas terá que ser ao fim do dia.
Podemos descobrir que correr de manhã é ainda melhor que correr ao fim do dia mas, quando o melhor não é possível nós, os runners, sabemos que o bom também serve. E correr à noite também tem o seu encanto!
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quarta-feira, 6 de abril de 2016
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Os 1001 Km
E se de repente, no início da semana de pico de um plano de treino para uma Meia Maratona - a da vossa cidade natal, ainda por cima - atingissem o milhão de metros corridos? E se, horas volvidas sobre a conquista, recebessem uma notícia de digestão difícil?
Been there. These days.
Já tinha feito as contas e não me surpreendeu a chegada aos 1.000 km, mas comemorei com um km final de sprint e, ao chegar a casa e descarregar o exercício para o meu smartphone, foi saboroso ver aquele número de quatro dígitos aparecer no total acumulado.
E o que ganhei eu com isso?
Pois bem, hoje de manhã, ainda durante essa mesma semana de pico, recebi um telefonema do hospital. A agendar uma pequena rinoplastia para as vésperas da prova.
Bonito serviço! Uma cirurgia, ainda que pequena, ao nariz, impedir-me-á de competir na Meia Maratona de Braga, pensei.
Encolhi os ombros e aceitei. Mais ou menos.
E o que fazer quando recebemos uma notícia destas? Quando meses de treino se esvaem em fumo na nossa frente?
Corremos para esquecer.
Corremos para esquecer e deslocamos o foco do nosso treino. E isto é relevante.
Se ontem atingi os 1.000 km a preparar-me para a Meia Maratona de Braga, hoje vou acumular mais uns quantos km a otimizar a minha forma física para que, durante o pós-cirurgia, a perda de condicionamento seja mínima. Vou treinar ainda com mais afinco, porque o "dia D" está uns dias mais próximo do que eu pensava. Vou trabalhar no VO2 máximo e na força muscular para que, quando regressar aos treinos, regresse a um nível razoável.
Vou arranjar pretextos para correr e, se mais nenhum houver, vou mesmo correr para esquecer!
Vou apertar os atacadores. Até já!
Been there. These days.
Já tinha feito as contas e não me surpreendeu a chegada aos 1.000 km, mas comemorei com um km final de sprint e, ao chegar a casa e descarregar o exercício para o meu smartphone, foi saboroso ver aquele número de quatro dígitos aparecer no total acumulado.
E o que ganhei eu com isso?
Pois bem, hoje de manhã, ainda durante essa mesma semana de pico, recebi um telefonema do hospital. A agendar uma pequena rinoplastia para as vésperas da prova.
Bonito serviço! Uma cirurgia, ainda que pequena, ao nariz, impedir-me-á de competir na Meia Maratona de Braga, pensei.
Encolhi os ombros e aceitei. Mais ou menos.
E o que fazer quando recebemos uma notícia destas? Quando meses de treino se esvaem em fumo na nossa frente?
Corremos para esquecer.
Corremos para esquecer e deslocamos o foco do nosso treino. E isto é relevante.
Se ontem atingi os 1.000 km a preparar-me para a Meia Maratona de Braga, hoje vou acumular mais uns quantos km a otimizar a minha forma física para que, durante o pós-cirurgia, a perda de condicionamento seja mínima. Vou treinar ainda com mais afinco, porque o "dia D" está uns dias mais próximo do que eu pensava. Vou trabalhar no VO2 máximo e na força muscular para que, quando regressar aos treinos, regresse a um nível razoável.
Vou arranjar pretextos para correr e, se mais nenhum houver, vou mesmo correr para esquecer!
Vou apertar os atacadores. Até já!
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